Metodologia
Esta página explica como o Radar Cirúrgico monta um relatório: de onde vêm as informações, como confirmamos que são do médico certo, o que cada status significa e o que não fazemos.
1. O que o relatório é — e o que não é
O relatório reúne informações públicas sobre um médico, com a fonte e a data de cada uma, para ajudar você a se preparar para a consulta.
Ele não dá nota, selo, ranking nem recomendação. Não dizemos se um médico é "bom", "seguro" ou "confiável". Mostramos fatos e apontamos o que vale a pena perguntar. A decisão é sua, junto com o profissional.
2. Como identificamos o médico
Todo relatório começa pelo número do CRM e o estado (UF). Nomes iguais são comuns; o CRM não se repete dentro de um estado.
Os dados do registro profissional (situação e especialidades com RQE) vêm do Conselho Federal de Medicina. Enquanto a consulta automática oficial não está disponível, uma pessoa da nossa equipe confere os dados na busca pública oficial do CFM antes de a pesquisa começar.
3. De onde vêm as informações
| Parte do relatório | Fontes |
|---|---|
| Registro profissional | Conselho Federal de Medicina |
| Formação e filiação | Universidades, hospitais-escola, sociedade da especialidade, cadastros do MEC e outras fontes públicas |
| Processos judiciais | Tribunais, diários oficiais e bases de dados processuais |
| Processos ético-profissionais | Penalidades publicadas pelos conselhos de medicina |
| Reputação entre pacientes | Avaliações públicas (Google e sites de avaliação) e relatos públicos |
| Comunicação do médico | O site e os perfis profissionais do próprio médico |
| Imprensa | Portais de notícias e órgãos públicos |
| Local da cirurgia | Sites de clínicas e hospitais e o cadastro nacional de estabelecimentos de saúde (CNES) |
| Empresas ligadas ao médico | Cadastro público de CNPJ da Receita Federal |
Cada fonte recebe um nível de confiabilidade:
- Alta: órgãos oficiais, conselhos, sociedades de especialidade, universidades, tribunais, diários oficiais, cadastros públicos.
- Média: sites de hospitais e clínicas, imprensa, plataformas de avaliação, bases jurídicas.
- Baixa: site e redes do próprio médico, fóruns e comentários.
Todas as fontes usadas aparecem numeradas no fim do relatório, com a data da consulta.
4. O que cada status significa
| Status | Significado |
|---|---|
| Confirmado em fonte oficial | A informação foi encontrada em fonte de confiabilidade alta. |
| Informado, sem fonte oficial | O próprio médico (site, redes, currículo, entrevistas) ou uma fonte não oficial informa, e nada do que encontramos contradiz. |
| Ponto de atenção | Um fato específico daquele médico que vale esclarecer com ele. Não é acusação nem conclusão. |
| Não encontrado em registro público | Pesquisamos e não achamos registro público. Isso não significa que a informação não exista. |
| Não foi possível verificar | As fontes se contradizem, ou a pesquisa daquele item não pôde ser feita. |
Uma informação só recebe "Confirmado em fonte oficial" se estiver apoiada em fonte de confiabilidade alta.
Por que existe o "Informado, sem fonte oficial". Faculdade, residência, títulos e experiência raramente constam em base oficial pública — para qualquer médico. Tratar isso como falha faria todo relatório parecer negativo sem motivo. Por isso, o que o médico informa e nenhuma fonte contradiz aparece com esse status neutro. O registro da especialidade (RQE), por sua vez, é oficial: o Conselho de Medicina só o concede a quem comprova residência médica reconhecida ou título de especialista.
O que vira "Ponto de atenção". Só fatos específicos daquele médico: uma fonte oficial que contradiz o que ele divulga, restrição ou penalidade, processo ligado à atuação médica, investigação noticiada, padrão negativo recorrente em avaliações, promessa de resultado. O que simplesmente não é público (equipe de anestesia, protocolos, hospital onde opera) não é ponto de atenção: vira pergunta para a consulta. O relatório também não avalia se a comunicação do médico cumpre normas de publicidade; isso cabe aos conselhos.
Resumo. Todo relatório abre com um resumo em um parágrafo, feito só com os fatos levantados, e com três quadros: o que está confirmado em fonte oficial, o que vale esclarecer na consulta e o que normalmente não é público. Cada seção mostra a contagem dos itens por status.
5. Processos judiciais
Processo não é erro. Um processo é um pedido feito à Justiça. Enquanto não há julgamento, tudo o que consta nele são alegações. Por isso cada processo mostra a situação (em andamento, com decisão, arquivado), o papel do médico e, quando há decisão pública, o resultado.
Homônimos. Como o CPF de um médico não é público, processos são pesquisados pelo nome. Um processo só entra no relatório como sendo do médico quando o próprio conteúdo confirma a identidade — por exemplo, o CRM citado, a clínica onde ele atua como parte, ou a qualificação como médico da especialidade. Nome igual, sozinho, nunca basta. O motivo da confirmação aparece no relatório ("por que é deste médico") e fica registrado.
Os processos que não puderam ser confirmados aparecem apenas como uma contagem de "possível homônimo — não confirmado", sem nenhum detalhe. Quando nenhum deles trata de atuação médica, o relatório diz isso.
Onde buscamos. A busca cobre o estado do CRM e os outros estados em que o médico tem inscrição no conselho, pelo nome registrado e pelo nome profissional (quando é uma forma reduzida do nome registrado).
Processos contra a clínica. Muitas vezes a paciente processa a clínica, e não o médico pelo nome. Por isso buscamos também, pelo CNPJ, os processos em que as clínicas de saúde das quais o médico é sócio figuram como rés. Mostramos quantos são e, dos ligados a serviços de saúde, o tribunal, o ano, o tipo e a situação — sem nomes de pessoas. O processo é contra a empresa: não significa erro, nem que o atendimento foi feito por aquele médico.
Processos sem relação com a atuação médica. Mostramos em detalhe apenas os processos ligados à atuação como médico. Os demais processos confirmados aparecem só como uma contagem por ramo da Justiça (estadual, federal, do trabalho), sem detalhes. Processos de família e ações trabalhistas em que o médico é o empregado não aparecem de nenhuma forma: dizem respeito à vida pessoal.
O que não aparece: processos em segredo de justiça e nomes de outras pessoas envolvidas.
6. Avaliações de pacientes
Mostramos apenas padrões: os temas que se repetem, classificados como isolado (1 menção), recorrente (2 ou mais) ou padrão significativo (3 ou mais e ao menos um quarto das avaliações lidas).
Nunca copiamos relatos, nomes de pacientes ou detalhes de saúde. Os textos das avaliações são lidos no momento da análise e não ficam guardados. Avaliações são opiniões de quem escreveu, não fatos verificados — por isso nunca recebem o status "confirmado".
7. Comunicação do médico e imprensa
Descrevemos de forma neutra o que o próprio médico publica profissionalmente, tendo como referência as regras de publicidade médica do Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM nº 2.336/2023), e o que foi noticiado, com o veículo e a data.
Não concluímos que houve infração: isso cabe aos conselhos de medicina e à Justiça. Denúncias e investigações noticiadas são apresentadas como tal, nunca como condenação.
8. Pontos de atenção, pontos favoráveis e perguntas
Os pontos de atenção e os pontos favoráveis são tirados dos próprios fatos do relatório, cada um com a sua fonte. Só entram como favoráveis as informações confirmadas em fonte oficial.
As perguntas para a consulta combinam uma lista padrão da especialidade com perguntas ligadas ao que a pesquisa encontrou.
9. Conferência antes da entrega
Todo relatório passa por uma checagem automática antes de chegar a você. Ela verifica, entre outras coisas:
- se alguma frase contém nota, elogio, selo ou recomendação;
- se alguma frase trata processo como erro, ou "não encontrado" como "não existe";
- se cada afirmação tem fonte;
- se algum trecho copia o texto de uma avaliação;
- se cada processo tem a explicação de por que é daquele médico.
Além disso, durante a pesquisa, uma fonte só é aceita se tiver sido realmente retornada pela busca; a que não confere é descartada.
Quando a checagem encontra qualquer problema, o relatório não é entregue: vai para a revisão de uma pessoa da nossa equipe.
10. Validade das informações
Cada relatório mostra a data da pesquisa e até quando os dados são considerados válidos. Situação no CRM, processos e avaliações são atualizados a cada 30 dias; formação, experiência e local, a cada 180 dias. As informações podem mudar depois da data da pesquisa.
11. Limites que você precisa conhecer
- Usamos apenas o que é público. Nem tudo é público ou pesquisável.
- Processos em segredo de justiça e processos éticos em andamento não aparecem em nenhuma pesquisa.
- Uma pesquisa não garante a segurança de uma cirurgia e não substitui a consulta médica.
- Podemos errar. Se você encontrar um erro, escreva para contato@radarcirurgico.com.br.
12. Correções e direito de resposta
Médicos podem pedir correção ou remoção de qualquer informação pela página Contestação. O pedido é gratuito, recebe protocolo e é respondido em até 15 dias, com decisão fundamentada.
Veja também: Como usamos inteligência artificial e o Glossário.